A pressão econômica gerada pela pandemia provoca reações distintas nos países que fazem fronteira com o Rio Grande do Sul. Mesmo vivendo uma tendência de alta em casos e óbitos, a Argentina vai liberar a entrada de cidadãos de seus países limítrofes a partir do próximo dia 2, uma decisão que o Uruguai – país que melhor controlou a Covid-19 no continente – não gostou.
A medida do governo argentino é uma maneira de fomentar o turismo, em especial com o câmbio favorável para brasileiros. Para entrar em Buenos Aires, os estrangeiros terão de apresentar um teste de PCR negativo, e provavelmente terão de fazer um novo exame no país – o que ainda não está definido. Nesse primeiro momento, a fronteira argentina estará aberta apenas para voos, à exceção de cidadãos do Uruguai, que também poderão voltar a cruzar o Rio da Prata, pelo ferry boat.
Esse vai e vem pelo ferry acende um sinal de alerta no Uruguai, que já havia tomado a decisão de não receber turistas estrangeiros neste verão. A Argentina é, hoje, o sexto país em número de casos no mundo, com quase 1,1 milhão. Do lado uruguaio, as viagens a Buenos Aires não serão vetadas, porém tampouco incentivadas.
Para se ter uma ideia do controle da pandemia no Uruguai, o país tinha ontem 447 casos ativos da doença. Isso é menos do que os novos casos que Porto Alegre contabilizou somente na sexta-feira passada, quando foram confirmados mas 524 diagnósticos – a capital gaúcha tem aproximadamente metade da população do país vizinho. Desde março, o Uruguai, que tem cerca de 3,4 milhões de habitantes, registrou 2.851 casos de Covid-19, com 53 óbitos.
A ameaça a esse controle, no entanto, pode não vir apenas da margem Sul do Prata, mas também da fronteira seca com o Brasil. Mais especificamente em Rivera, onde a proibição da interação entre brasileiros e uruguaios é impossível. Desde sábado, o Uruguai intensificou as barreiras sanitárias na fronteira com Livramento e Rivera, que é a segunda cidade em casos no país. Fonte: Matinal
